Mrs. Dalloway
25.06.2006
Mrs. Dalloway – Virginia Woolf
Sinopse:
“Publicado em 1925, Mrs. Dalloway é o primeiro dos romances de Virginia Woolf que subverte a narrativa tradicional. O título inicial do livro era As Horas, uma referência ao tempo em que a acção decorre. A I Grande Guerra terminou, o calor do Verão invade Londres e Clarissa, Mrs. Dalloway, prepara-se para dar uma das suas festas. Mas quando a noite se aproxima, a chegada de Peter Walsh, o seu primeiro amor regressado da Índia, vai despertar o passado, trazendo-lhe à memória os sonhos adolescentes e a discussão que muitos anos antes a precipitou num casamento sem fulgor. De súbito, Clarissa tem consciência da força da vida em seu redor, de Peter inalterado e contudo diverso, e da sua filha Elizabeth que se está a tornar uma mulher. Mas a originalidade maior do livro vem dessa espécie de duplo de Mrs. Dalloway, Septimus Warren Smith, enlouquecendo em silêncio com o trauma da guerra e com quem Clarissa parece partilhar uma mesma consciência.“
“Mrs. Dalloway fez saber que ela mesma se encarregaria de comprar as flores.”. Foi assim que a tradutora traduziu a enigmática frase “Mrs. Dalloway said she would buy the flowers herself.” e que ouvi pela primeira vez no filme As horas. A partir daí fiquei com vontade de ler o livro de Virginia Woolf (mais até do que o livro do Michael Cunningham que serviu de base ao filme. Num dos fins de semana passados revimos o filme e, curiosamente, desta vez fascinou-me ainda mais e não descansei enquanto não peguei no livro.
Não conhecia a obra da Virginia Woolf e fiquei fascinada, a forma como ela descreve emoções, como associa as pessoas e os sentimentos com os seus percursos de vida é fantástica. A história do Verão em Bourton de Clarissa, Peter, Sally, Richard e Hugh que influenciou a vida futura de todos eles em geral e de Clarissa mais em particular. Clarissa é uma mulher com uma vida social perfeita, vive no mundo do politicamente correcto, as suas festas são um acontecimento invejado por todos. O retorno de Peter à sua vida numa conversa de breves minutos leva-a a questionar tudo e a ele emociona-o como há tantos e tantos anos atrás.
Dou por mim a rever mentalmente o filme em que Virginia está em pleno processo de criação desta história, em que a dado momento decide matar Clarissa. Mas como?, imagino eu, lendo avidamente páginas e páginas, se Clarissa não tem razões para o fazer (será que não tem mesmo??). Mas Virginia mudou o curso da sua história: criou Septimus que encarna o desalento, a perda de força de viver, a loucura, e vai ser ele que vai protagonizar a luta com os médicos (pela qual Virginia também passou) que cada um à sua maneira lhe criam formas de o aprisionar na sua loucura e o carregar até ao desespero de escolher a morte como fuga de todos eles.
Richard toma consciência do quanto ama Clarissa quando sabe que Peter a visitou… e, depois… incapaz de lho dizer, compra-lhe rosas, a meio do dia.
Na festa de Mrs. Dalloway reencontram-se todos os velhos amigos, e, consoante a noite avança e surge a conversa de circunstância, Sally apercebe-se que pouco ou nada soubera da grande amiga e dos outros durante todo o tempo que passou, tudo o que poderia fazer era “tirar conclusões precipitadas, e isto porque ninguém sabe ao certo o que se passa com os outros, nem mesmo quando com eles convivemos numa base diária. Afinal, não seremos nós, humanos, uma espécie de prisioneiros?”



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