os meus livros

Aparição

Posted in Portuguesa, Vergílio Ferreira by maitê on December 1, 2008

08.12.2005

Aparição – Vergílio Ferreira

Sinopse:

“«Sento-me aqui nesta sala vazia e relembro. Uma lua quente de verão entra pela varanda, ilumina uma jarra de flores sobre a mesa. Olho essa jarra, essas flores, e escuto o indício de um rumor de vida, o sinal obscuro de uma memória de origens. No chão da velha casa a água da lua fascina-me. Tento, há quantos anos, vencer a dureza dos dias, das ideias solidificadas, a espessura dos hábitos, que me constrange e tranquiliza…». «Ah, ter a evidência amarga do milagre que sou, de como infinitamente é necessário que eu esteja vivo, e ver depois, em fulgor, que tenho de morrer.» A Aparição oferece-nos a evocação, a revelação, a aprendizagem e a reflexão sobre a existência. Pode-se descobrir em Aparição que esta consiste no combate que a personagem-narrador tem de travar para vencer determinados condicionalismos, limitações e contradições até ao desvendamento de si próprio, nos limites do possível.”

Todos nós nos perguntamos já “quem sou? para onde vou? porque estou aqui?”, por certo quase todos já pensamos na(s) resposta(s), que mais não fora para concluirmos que nada sabemos, desconhecemos, que estavamos ainda em busca da resposta, do nosso grail.

É exactamente por aqui que o autor começa, coloca as suas dúvidas e dá a sua resposta àqueles com quem convive na cidade de Évora, na família do Dr. Moura e amigos chegados. São costumes e modos de vida, são intrigas, ilusões, paixões, conclusões e confusões.

Por muito que nos esforcemos em transmitir da melhor forma as nossas ideias, há sempre quem as ouça por outros olhos:
- porque estão de acordo e as pretendem complementar com a sua visão própria;
- porque se questionam naquele momento das certezas que tinham quanto a uma resposta diferente;
- porque para eles o copo está sempre meio vazio;
- porque a sua maturidade, calma e experiência de vida os colocam num nível de compreensão diferente, precisam de outras palavras;
- porque são sonhadores e aproveitam as asas para voar;
- porque “se através dos tempos o homem pensasse apenas na utilidade prática, hoje não seria um homem, seria um parafuso”.

Fica-me a curiosidade de saber a data em que o autor localiza a história que a mim me parece intemporal, mas que pormenores descritivos me levam a colocar na década de 50/60.

“Mas o que sei é que o homem deve construir o seu reino, achar o seu lugar na verdade da vida, da terra, dos astros, o que sei é que a morte não deve ter razão contra a vida nem os deuses voltar a tê-la contra os homens, o que sei é que esta evidência inicial nos espera no fim de todas as conquistas para que o ciclo se feche – o ciclo, a viagem mais perfeita. Não me pergunteis como consegui-lo, não me pergunteis. O que é evidente aparece.”

(em itálico, transcrições da obra)

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