os meus livros

Cemitério de pianos

Posted in José Luís Peixoto, Portuguesa by maitê on December 1, 2008

23.10.2007

Cemitério de pianos – José Luís Peixoto

Sinopse:
No ventre de uma oficina de carpintaria aninha-se o cemitério de pianos, instrumentos cujo mecanismo, à semelhança dos seres que os rodeiam, não está morto, encontrando-se antes suspenso entre vidas. Exílio voluntário onde se reflecte, se faz amor, lugar de leituras clandestinas, espaço recatado de adúlteros, pátio de brincadeiras infantis e confessionário de mortos, é o espaço onde se encadeiam gerações.

Os narradores – pai e filho -, em tempos diferentes, que se sobrepõem por vezes, desvendam a história da família, numa linguagem intercalada de sombras e luz, de silêncio e riso, de medo e esperança, de culpa e perdão. Contam-nos histórias de amor, urgentes e inevitáveis, pungentes, nas quais se lê abandono, violência doméstica e faltas nem sempre redimidas que, no entanto, acabam por ser resgatadas pelo poder esmagador da ternura e dos afectos. Falam-nos de morte, não para indicar o fim, mas a renovação, o elo entre as gerações e a continuação: o pai – relação entre dois Franciscos, iguais no nome e no destino, por um gerado, do outro genitor – nasce no dia da morte desse primeiro Lázaro; o filho, neto do seu homónimo, morre no dia em que a sua mulher dá à luz.


Há muito que um livro não me conquistava de forma tão emotiva, não me enrolava nos sentimentos das personagens. Para mim este livro é isso mesmo, uma história que se conta através dos sentimentos, ou sentimentos que nos contam as histórias de pais, filhos, irmãos, crianças, adultos ou já idosos.Uma amiga comentava-me que não imaginava as personagens como as fotografias que delas vêm no livro e eu não podia concordar mais com ela. Não eram aquelas as feições, não era aquele sorriso, aqueles olhos que viram os pianos, as alegrias e as tristezas.Fiquei adepta da escrita fluída do autor, da sua construção de histórias. A descobrir outras obras, sem sombra de dúvida.

Deste viver aqui neste papel descripto

Posted in António Lobo Antunes, Portuguesa by maitê on December 1, 2008

20.05.2006

Deste viver aqui neste papel descripto – António Lobo Antunes

Sinopse:

“As cartas deste livro foram escritas por um homem de 28 anos na privacidade da sua relação com a mulher, isolado de tudo e de todos durante dois anos de guerra colonial em Angola, sem pensar que algum dia viriam a ser lidas por mais alguém. Não vamos aqui descrever o que são essas cartas: cada pessoa irá lê-las de forma diferente, seguramente distinta da nossa. Mas qualquer que seja a abordagem, literária, biográfica, documento de guerra ou história de amor, sabemos que é extraordinária em todos esses aspectos (…) Este é o livro do amor dos nossos pais, de onde nascemos e do qual nos orgulhamos. Nascemos de duas pessoas invulgares em tudo, que em parte vos damos a conhecer nestas cartas. O resto é nosso.”
Maria José Lobo Antunes
Joana Lobo Antunes
Do Prefácio

Durante muito tempo deixei este livro na minha mesa de cabeceira, por puro egoísmo. Estava a dar-me tanto prazer a companhia de cartas de amor que não queria que me deixassem o pé da cama nunca. Qual será o sentimento que leva um homem a escrever uma carta todos os dias à sua esposa, mesmo que nada tenha para lhe contar que não seja que gosta tudo dela?

Aos poucos porém o encanto vai-se desvanecendo, os comentários vão-se-nos tornando familiares, a vida que nos é “descripta” pouco muda, os personagens vão perdendo a novidade. Aos poucos vamos conhecendo a personalidade de ambos, mais dele, que transparece claramente, a sua passividade e o seu ciúme, os seus desejos e a sua insegurança, o medo e a coragem, a roçar o conformismo.

O desterro do mundo, de notícias da família e da amada, viver a kms de distância o nascimento da primeira filha, contar os dias para as férias, para o regresso.

Acima de tudo fica a mística das cartas de guerra, o amor à distância que se quer encurtar, a saudade.

Equador

Posted in Miguel Sousa Tavares, Portuguesa by maitê on December 1, 2008

02.05.2006

Equador – Miguel Sousa Tavares

Sinopse:

Quando naquela manhã chuvosa de Dezembro de 1905, Luís Bernardo é chamado por El-Rei D. Carlos a Vila Viçosa, não imaginava o que o futuro lhe reservava. Não sabia que teria de trocar a sua vida despreocupada na sociedade cosmopolita de Lisboa por uma missão tão patriótica quanto arriscada na distante ilha de S. Tomé. Não esperava que o cargo de governador e a defesa da dignidade dos trabalhadores das roças o lançassem numa rede de conflitos e interesses com a metrópole. E não contava que a descoberta do amor lhe viesse mudar a vida.
Equador é um retrato brilhante da sociedade portuguesa nos últimos dias da Monarquia, que traça um paralelo entre os serões mundanos da capital e o ambiente duro e retrógrado das colónias.
É com esta história admirável, comovente e perturbadora, que Miguel Sousa Tavares inaugura a sua incursão no romance.

Já muito me tinham falado deste livro, da forma como nos viciava e eu fui anotando, deixando crescer a vontade de o ler um dia. E um dia, a medo, lá lhe peguei, nos intervalos de um outro que tinha deixado na mesa de cabeceira.

O que primeiro me agarrou foi a escrita de época sem os trejeitos e as expressões que lemos em escritores “da” época. A escrita fácil, a história e as aventuras amorosas, o desenrolar de todo o processo de ida de Luís Bernardo para S. Tomé. Depois deixei-me esmorecer pelas descrições do reconhecimento que tem que fazer da ilha, pelo constatar de que o esperava uma missão ingrata.

Com a entrada em cena do cônsul inglês e da sua bela esposa, a história ganha um novo fôlego (na minha modesta opinião, a história de vida do cônsul é um livro dentro do livro, um pequeno conto delicioso) e a partir daí largar as terras quentes de S. Tomé tornou-se um sacrifico, a todos os momentos me apetecia viajar para as roças, para as praias desertas, para a varanda de Luís Bernardo e sentar-me a ouvir um dos seus discos levados de Lisboa, ajudar nos preparativos da visita de Sua Majestade, convencer com Ann e David.

Ficou-me a curiosidade de ver como tudo acabava, qual o rumo que o Governador daria à ilha e à sua vida, para onde o levariam os devaneios políticos e amorosos, se para os braços do amor, se da política, se do mundo.

Li os últimos capítulos sofregamente e quando terminei só me ocorreu que já não se vivem vidas assim nos nossos dias, e é pena. Vou sentir falta do Luís Bernardo e das rosas loucas ao adormecer.

Fica a self note: As edições ilustradas não são portáteis e tiram quase toda a piada de ler na cama.

A tragédia da Rua das Flores

Posted in Eça de Queirós, Portuguesa by maitê on December 1, 2008

09.04.2006

A tragédia da Rua das Flores – Eça de Queiroz


Sinopse:

Joaquina da Ega (que mais tarde se virá a saber chamar-se Genoveva), natural da Guarda, casada com Pedro da Ega, vivia em Lisboa. Mas, logo após o nascimento do filho, abandona este e o marido para fugir com um emigrado espanhol. Em Espanha, torna-se cortesã. Entretanto, Pedro da Ega morre em Angola. Joaquina casa-se depois com M. de Molineux, um velho senador, com quem vive em Paris. Mas a queda do bonapartismo, trazem-na de volta a Portugal, agora com Gomes, um brasileiro, já que o senador havia falecido. Faz-se, então, passar por Mme. de Molineux. Em Lisboa, instala-se na Rua das Flores. Logo se envolve com Dâmaso de Mavião, a quem irá explorar sem piedade. No entanto, apaixona-se por Vítor, um jovem de 23 anos, bacharel em Direito. Quando faz 40 anos repele Dâmaso, planeando voltar para Paris com Vítor. O tio de Vítor, Timóteo, o único detentor da trágica verdade, tenta acabar com a relação dos dois. Decide, então, contar toda a verdade a Genoveva.

Ao saber que era amante do seu próprio filho, Genoveva atira-se da varanda de sua casa, na presença de Vítor, que nunca chegaria a perceber tal atitude nem a saber a verdade.


Desde os tempos do liceu que Eça nunca me apaixonou. Li os Maias por obrigação, sem grande paixão e, reconheço, sem lhe prestar a atenção que por certo mereceria. Anos mais tarde falava-se sobre leituras e uns amigos espantaram-se dessa minha “lacuna” queirosiana e ofereceram-me este livro. Uns tantos anos mais tarde finalmente pego nele e me dedico a folhear-lhe as páginas de letra dactilografada e meia borratada tão característica dos livros da editora Livros do Brasil e que já não se vê (felizmente) em livros nenhuns.

Correm-me os olhos pelas descrições de fatos e vestidos, de costumes e da vida em sociedade da época. Seguem-se as intrigas quase palacianas, o mostrar ser, os falatórios, os boatos, o ser e o parecer. É esta a virtude de Eça, dizem-me, a crítica dos costumes e o retrato mordaz da sociedade. Reconhecida e com mérito!

A história em si é pequena, enrolada, esticada e desenrolada numas 2 ou três páginas do final. As aventuras e desventuras de Genoveva, Dâmaso e Victor vão correndo suavemente, sem grandes surpresas, com as artimanhase o calculismo de Genoveva, o despeito e a ingenuidade de Dâmaso e a(s) paixão(ões) de Victor.

Tenho ideia de em tempos ter passado na televisão um filme ou uma peça de teatro adapatada do livro; gostava de a ver, sem dúvida que as personagens e o ambiente descrito darão um belo espectáculo visual.

Reconheço porém que o livro não me apaixonou, o romance histórico, de época não me cativou nem me arrastou para soirées de vestidos de cauda, espartilhos e rendas, com cavalheiros de casaca preta e gravata branca, não me transportou para o teatro nem mesmo para as paisagens de Sintra onde tem lugar uma parte importante da história.

Não te deixarei morrer, David Crockett

Posted in Miguel Sousa Tavares, Portuguesa by maitê on December 1, 2008

03.04.2006

Não te deixarei morrer, David Crockett – Miguel Sousa Tavares


Sinopse:

Para além dos textos de ficção inéditos, este livro de Miguel Sousa Tavares reúne textos que ao longo dos anos foram publicados na revista Máxima e noutros lugares.
As “Short Stories” que pela primeira vez vão ser vistas por outros olhos: A Passagem, A Fidelidade, O Espião que ficou no frio, Nova York-Lisboa e O Velho de Alcântara Mar. O próprio autor explica na Nota Prévia o título do livro: David Crockett representa “uma espécie de pureza inicial, um excesso de sentimentos e de sensibilidade, a ingenuidade e a fé, a hipótese fantástica da felicidade para sempre”.

Este é o primeiro livro que leio deste autor, cujas crónicas aprecio bastante. E este livro não são mais que crónicas, histórias curtas, a maior parte publicada na revista Máxima.

Enquanto me preparo para atacar o Equador um dia destes, deixei-me deliciar por algumas notas que entendi como biográficas, e principalmente pelos contos: Viagem, Nada é mais perigoso que o silêncio e A passagem.

Fica uma self note:
“Um amor feliz precisa do turbilhão das palavras, das frases aparentemente inúteis e sem sentido, precisa de adjectivos, de elogios, do ruído das banalidades. Não há felicidade que não seja tantas vezes fútil, tantas vezes inútil.”
In Nada é mais perigoso que o silêncio

Aparição

Posted in Portuguesa, Vergílio Ferreira by maitê on December 1, 2008

08.12.2005

Aparição – Vergílio Ferreira

Sinopse:

“«Sento-me aqui nesta sala vazia e relembro. Uma lua quente de verão entra pela varanda, ilumina uma jarra de flores sobre a mesa. Olho essa jarra, essas flores, e escuto o indício de um rumor de vida, o sinal obscuro de uma memória de origens. No chão da velha casa a água da lua fascina-me. Tento, há quantos anos, vencer a dureza dos dias, das ideias solidificadas, a espessura dos hábitos, que me constrange e tranquiliza…». «Ah, ter a evidência amarga do milagre que sou, de como infinitamente é necessário que eu esteja vivo, e ver depois, em fulgor, que tenho de morrer.» A Aparição oferece-nos a evocação, a revelação, a aprendizagem e a reflexão sobre a existência. Pode-se descobrir em Aparição que esta consiste no combate que a personagem-narrador tem de travar para vencer determinados condicionalismos, limitações e contradições até ao desvendamento de si próprio, nos limites do possível.”

Todos nós nos perguntamos já “quem sou? para onde vou? porque estou aqui?”, por certo quase todos já pensamos na(s) resposta(s), que mais não fora para concluirmos que nada sabemos, desconhecemos, que estavamos ainda em busca da resposta, do nosso grail.

É exactamente por aqui que o autor começa, coloca as suas dúvidas e dá a sua resposta àqueles com quem convive na cidade de Évora, na família do Dr. Moura e amigos chegados. São costumes e modos de vida, são intrigas, ilusões, paixões, conclusões e confusões.

Por muito que nos esforcemos em transmitir da melhor forma as nossas ideias, há sempre quem as ouça por outros olhos:
- porque estão de acordo e as pretendem complementar com a sua visão própria;
- porque se questionam naquele momento das certezas que tinham quanto a uma resposta diferente;
- porque para eles o copo está sempre meio vazio;
- porque a sua maturidade, calma e experiência de vida os colocam num nível de compreensão diferente, precisam de outras palavras;
- porque são sonhadores e aproveitam as asas para voar;
- porque “se através dos tempos o homem pensasse apenas na utilidade prática, hoje não seria um homem, seria um parafuso”.

Fica-me a curiosidade de saber a data em que o autor localiza a história que a mim me parece intemporal, mas que pormenores descritivos me levam a colocar na década de 50/60.

“Mas o que sei é que o homem deve construir o seu reino, achar o seu lugar na verdade da vida, da terra, dos astros, o que sei é que a morte não deve ter razão contra a vida nem os deuses voltar a tê-la contra os homens, o que sei é que esta evidência inicial nos espera no fim de todas as conquistas para que o ciclo se feche – o ciclo, a viagem mais perfeita. Não me pergunteis como consegui-lo, não me pergunteis. O que é evidente aparece.”

(em itálico, transcrições da obra)

O dragão de fumo

Posted in João Aguiar, Portuguesa by maitê on December 1, 2008

11.07.2005

O dragão de fumo – João Aguiar

Sinopse:

Retirado na sua casa de Vale de Monges, que herdou recentemente e de que fez o seu refúgio, Adriano entrega-se ao prazer simples de desvendar um pequeno segredo local e familar, quando, inesperadamente, recebe um apelo de Rita, a filha mais velha, que, tal como ele próprio anos atrás, partiu para Macau na esperança de se refazer de um divórcio que a deixou traumatizada.
Adriano acorre em auxílio da filha, o que é também um pretexto para visitar as suas memórias. Porém, Macau é um “dragão de fumo”, uma realidade em constante mutação, e o passado não pode ser revivido. Em compensação, o presente reserva uma experiência nova e inquietante a este homem que, sentindo-se a envelhecer, procurava acima de tudo adaptar-se ao advento da terceira e última idade.

Pegando de novo no personagem principal de Os Comedores de Pérolas (romance já traduzido em Itália e na Alemanha), João Aguiar regressa também ele a Macau e ao sortilégio de um mundo que se prepara para mudar.


Este é o 2º livro de uma trilogia sobre Macau (e não só) escrita por João Aguiar. Este senhor é um dos meus preferidos escritores portugueses contemporaneos.

Como deve ser, comecei a ler esta trilogia pelo fim, “A catedral verde” é o título do último livro, que me foi oferecido e me cativou de imediato. Volvidos alguns anos em busca do livro inicial, “Os comedores de pérolas”, finalmente a minha alma o encontrou e mo ofereceu e relançou o bichinho dos dragões na minha esfera literária.
Agora chegou a vez do livro do meio, delicioso, com o encontro das duas gerações, pai e filha marcados pela vida em Macau. Uma história de amor paterno, paixão e romance e de amor pela terra, pela cultura macaense. O estigma da saída de Portugal e dos portugueses, a transferência para a China, relembrar as notícias que se ouviram nos jornais há uns anos atrás, desta vez sentidas e romanceadas pelos portugueses que por lá viveram e ficaram ou decidiram sair.

A ironia, o humor caustico da personagem principal, o mistério dos chineses, a intuição feminina e o nosso desconversar, tudo deliciosamente retratado pelo autor.
Até dá vontade de reler o 3º volume para relembrar como tudo acaba, ou, simplesmente, continua.

Nem tudo começa com um beijo

Posted in Jorge Araújo Pereira e Pedro Sousa Pereira, Portuguesa by maitê on December 1, 2008

22.05.2005

Nem tudo começa com um beijo – Jorge Araújo e Pedro Sousa Pereira


Sinopse:

“O livro apresenta-nos o mundo como sendo uma casa, que tem Cave e Sótão. A Cave são os buracos do esgoto que servem de tecto a Fio Maravilha e a todos os outros meninos que não têm para onde ir. Na mesma linha alegórica, o Sótão é a cidade (que fica por cima do chão e por debaixo do céu). Tem basílicas grandiosas, mesquitas com crescentes dourados, pontes que ligam margens e vidas. E prédios com vista sobre a solidão, onde as pessoas se cruzam nos elevadores, dizem ?bom dia?, ?boa tarde? mas não se conhecem. É num deles que vive Nuvem Maria, a menina dos cabelos de ouro. Fio Maravilha descobriu a paixão em Nuvem Maria. Mas era um amor impossível. Na Cave, Nuvem Maria não era desejada; no Sótão, Fio Maravilha não tinha futuro. Até que um dia um brutal terramoto destrói tudo e todos mata. Excepto Fio Maravilha. Impossibilitado de regressar à Cave, vagueia pelo Sótão e descobre, no meio dos escombros, Nuvem Maria. Partem de barco. Felizes para sempre. A narrativa é acompanhada por duas dezenas de ilustrações que, através de imagens, contam a história em paralelo.

Reza assim a contracapa deste livro delicioso de Jorge Araújo e Pedro Sousa Pereira:

E falaram. Durante toda a noite, a manhã do dia seguinte, boa parte da tarde. As palavras derrapavam no céu da boca, tanta era a pressa de serem ditas, falaram de tudo e de mais alguma coisa, tinham um mundo de conversa para pôr em dia, muitos segredos para partilhar.

Não sei porquê nem porque não gosto de histórias para jovens escritas como se fossem para adultos. Será que é porque foram escritas para adultos? Não é o primeiro nem será por certo o último destes contos que me agarra.
Para os meninos do esgoto o mundo era uma casa com Cave e Sótão“, no Sótão vivemos nós com as nossas vidas, com as nossas posses bonitas, com os nossos medos e amores, com os nossos pecados e com as maravilhas do mundo moderno; na Cave moram os meninos como nós, que constroem uma vida à margem da nossa ou que foram marginalizados na sua vida pelas nossas.

Fio Maravilha, Gelatina, Sacristão, Amante de Rosa, Domingo, Armando Pantera, Nuvem Maria são personagens que nos apaixonam e que rapidamente nos conquistam pela sua simplicidade, com o seu modo de vida. Sentimentos puros de uma micro-sociedade, a Cave, onde no entanto, é tão fácil revermo-nos e àqueles que conhecemos. Uma metáfora da geração do autor como explica no Posfácio Pedro Ayres Magalhães, e não se enganará… Difícil será não reconhecermos as personagens da ficção quando as encontramos nos no nosso dia a dia.

Exacto!“, como diria o Bisnaga.

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