O Amante
10.12.2005
O Amante – Marguerite Duras

Sinopse:
“O Amante é o relato exacerbado de uma paixão na adolescência inquieta da escritora. Alia a descoberta do corpo aos martírios da renúncia num cenário soberbo, exótico, perverso como o Oriente. Ela tinha quinze anos e meio e era pobre. Ele tinha vinte e sete e era rico. Ela ignorava as travessias do império dos sentidos.
Ele era um mestre do amor sapiente. Ele possuía no rosto o mistério imperturbado de todos os orientes e no corpo o calor de todas as borrascas interiores. Ela possuía um rosto liso, quase inocente. Um rosto à espera de coisas novas do amor físico fundo, mortal.
Do encontro destes dois seres excepcionais num lugar excepcional nasceu uma paixão. Banal. O que não é banal é o modo como, tanto tempo volvido sobre essa experiência, Marguerite Duras a retira dos cantos esconsos da memória e a oferece assim, com o despudor e o narcisismo que se calcula aos olhos de um público ansioso de emoções alheias.
O Amante é uma sala de espelhos de um palácio íntimo, riquíssimo, onde os raros penetram. Nela habita uma rainha de um reino muito pouco pacífico, cheio de barragens. Literatura é o nome do reino.”
Uma moça jovem, 15 anos e meio, um chapéu de homem cor pau-rosa, com uma fita preta larga, um vestido de seda natural e uns sapatos de lamé
Um amante (chinês, rico) que a introduz no mundo do amor físico (e espiritual?)
Uma família de 4
Uma mãe viúva, envelhecida e amarga
Um irmão mais velho, déspota, egoísta, malandro
Um irmão mais novo, tímido
Uma relação condenada pela sociedade, pelas famílias
Uma necessidade de agir contra os costumes, a rebeldia nos actos, quanto mais nos pensamentos
Uma juventude na Indochina, nas colónias francesas, o calor, os mosquiteiros nas camas
Um pensionato
Tenho que reconhecer que esperava mais desta obra da Marguerite Duras, se calhar porque me falaram tanto e tão bem dela. Tenho que reconhecer, no entanto, que me apaixonei pela sinopse que a Clara Ferreira Alves escreveu na contracapa do livro. Apela à fantasia, ao romantismo, não à crueza da narrativa
“Anos depois da guerra, depois dos casamentos, dos filhos, dos divórcios, dos livros, ele veio a Paris com a mulher. Telefonara-lhe. Sou eu. Ela reconhecera-o logo pela voz. Ele dissera: queria só ouvir a sua voz. Ela dissera: sou eu, bom dia. Ele estava intimidado, tinha medo como dantes. A sua voz tremia de repente. E com o tremor, de repente, ela voltara a encontrar a pronúncia da China. Ele sabia que ela tinha começado a escrever livros, soubera-o pela mãe dela que voltara a ver em Saigão. E depois dissera-lho. Dissera-lhe que era como dantes, que ainda a amava, que nunca poderia deixar de a amar, que a amaria até à morte.”


leave a comment