os meus livros

As mulheres do meu pai

Posted in José Eduardo Agualusa by maitê on December 1, 2008

23.10.2008

As mulheres do meu pai – José Eduardo Agualusa

Sinopse:

Faustino Manso, famoso compositor angolano, deixou ao morrer sete viúvas e dezoito filhos. A filha mais nova, Laurentina, realizadora de cinema tenta reconstruir a atribulada vida do falecido músico. Em As Mulheres do Meu Pai, realidade e ficção correm lado a lado, a primeira alimentando a segunda. Nos territórios que José Eduardo Agualusa atravessa, porém, a ficção participa da realidade. As quatro personagens do romance que o autor escreve, enquanto viaja, vão com ele de Luanda, capital de Angola, até Benguela e Namibe. Cruzam as areias da Namíbia e as suas povoações fantasma, alcançando finalmente Cape Town, na África do Sul. Continuam depois, rumo a Maputo, e de Maputo a Quelimane, junto ao rio dos Bons Sinais, e dali até à ilha de Moçambique. Percorrem nesta deriva, paisagens que fazem fronteira com o sonho e das quais emergem, aqui e ali, as mais estranhas personagens. As Mulheres do Meu Pai é um romance sobre mulheres, música e magia. Nestas páginas anuncia-se o renascimento de África, continente afectado por problemas terríveis, mas abençoado pelo talento da música, o sempre renovado vigor das mulheres e o secreto poder de deuses muito antigos.

Não me atrai África, nunca me atraiu, não consigo sentir qualquer fascínio pelas planícies, pelos desertos, pelo calor, pela mistura de gentes, culturas. Apenas me fascinam os animais, mas, também me fascinariam se fossem originários de um outro continente. Revolta-me mais a pobreza, os massacres, as epidemias, a fome, os conflitos tribais, a guerrilha.

Como tal, não conheço, não sei sequer do que falo, apenas do que sinto.

Neste livro, Agualusa transportou-me para África, Angola, Moçambique, África do Sul, para o pré e o pós-independência das colónias, para o antes e o depois do apartheid. Confirmou-me os sentimentos de desencanto, também pelas gentes.

Confundiu-me com a sua escrita a muitas vozes, com muitos narradores, nem sempre identificados e que deixaram perdidos nas sete viúvas de Faustino Manso, na vida de Laurentina, Bartolomeu e Mandume, encantada com Pouca Sorte e a desejar ser a Bailarina (mas certa que sempre me comportaria como o Mandume).

Surpreendeu-me com o final, que conseguiu tornar cru, com a sua maneira de escrever, com a capacidade que tem de ter frases deliciosas a propósito de nada (ou tudo), perdidas no meio do texto e da história.

“Pecado é não amar. Pecado maior é não amar até ao fim do amor.”

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