O dragão de fumo
11.07.2005
O dragão de fumo – João Aguiar

Sinopse:
“Retirado na sua casa de Vale de Monges, que herdou recentemente e de que fez o seu refúgio, Adriano entrega-se ao prazer simples de desvendar um pequeno segredo local e familar, quando, inesperadamente, recebe um apelo de Rita, a filha mais velha, que, tal como ele próprio anos atrás, partiu para Macau na esperança de se refazer de um divórcio que a deixou traumatizada.
Adriano acorre em auxílio da filha, o que é também um pretexto para visitar as suas memórias. Porém, Macau é um “dragão de fumo”, uma realidade em constante mutação, e o passado não pode ser revivido. Em compensação, o presente reserva uma experiência nova e inquietante a este homem que, sentindo-se a envelhecer, procurava acima de tudo adaptar-se ao advento da terceira e última idade.
Pegando de novo no personagem principal de Os Comedores de Pérolas (romance já traduzido em Itália e na Alemanha), João Aguiar regressa também ele a Macau e ao sortilégio de um mundo que se prepara para mudar.“
Este é o 2º livro de uma trilogia sobre Macau (e não só) escrita por João Aguiar. Este senhor é um dos meus preferidos escritores portugueses contemporaneos.
Como deve ser, comecei a ler esta trilogia pelo fim, “A catedral verde” é o título do último livro, que me foi oferecido e me cativou de imediato. Volvidos alguns anos em busca do livro inicial, “Os comedores de pérolas”, finalmente a minha alma o encontrou e mo ofereceu e relançou o bichinho dos dragões na minha esfera literária.
Agora chegou a vez do livro do meio, delicioso, com o encontro das duas gerações, pai e filha marcados pela vida em Macau. Uma história de amor paterno, paixão e romance e de amor pela terra, pela cultura macaense. O estigma da saída de Portugal e dos portugueses, a transferência para a China, relembrar as notícias que se ouviram nos jornais há uns anos atrás, desta vez sentidas e romanceadas pelos portugueses que por lá viveram e ficaram ou decidiram sair.
A ironia, o humor caustico da personagem principal, o mistério dos chineses, a intuição feminina e o nosso desconversar, tudo deliciosamente retratado pelo autor.
Até dá vontade de reler o 3º volume para relembrar como tudo acaba, ou, simplesmente, continua.


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