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A ilha dos jacintos cortados

Posted in Gonzalo Torrente Ballester by maitê on December 1, 2008

29.03.2006

A ilha dos jacintos cortados – Gonzalo Torrente Ballester


Sinopse:

“A Ilha dos Jacintos Cortados” é uma “carta de amor com interpolações mágicas”, como o próprio autor define numa espécie de subtítulo. O romance traz para o conjunto da obra do autor a novidade do erotismo e da melancolia; um erotismo isento de pornografia, uma melancolia sem sentimentalismo. A prosa de Torrente Ballester mostra-se aqui na sua dupla condição ou estilo de barroquismo e simplicidade, segundo os materiais, de acordo com espírito.
Há duas histórias: a do amor e uma outra, difíceis de classificar porque ambas se separam com decidida veemência tanto dos caminhos já trilhados quanto das fórmulas de vanguarda, sempre em busca das técnicas mais adequadas aos materiais que utiliza.
Se uma destas histórias cativa, a outra diverte, e como estão endemoniadamente misturadas, emoção e diversão é a dupla promessa que pode ser feita ao leitor.

Entrei na Fnac em busca de um livro que agarrasse, mais do que os que aumentam a pilha de livros para ler que anda lá por casa e após muito procurar sem nada me entusiasmar, perguntei a uma assistente:
- Gosta de ler?
Os seus olhos brilharam com a pergunta e respondeu-me:
- Sim, claro, gosto muito.
- Diz-me um livro que a tenha apaixonado recentemente?
Ela olha para as estantes e vê a re-edição do Don Juan e fala-me, com os olhos a brilhar de Gonzalo Torrente Ballester, um escritor fantástico. Fala-me dele e de um outro escritor espanhol de que me não lembro do nome e cujo livro que ela preferia estava de momento esgotado.

Fiquei-me portanto pelo Ballester, aconselhou-me o Don Juan (que não trouxe por pensar ter cá por casa) e um outro, qualquer coisa com a Alice no País da Maravilhas ou a Bela Adormecida que não encontrei na livraria naquele dia (hoje, pesquisando na bibliografia do autor interrogo-me se seria “A bela adormecida vai à escola”). Agradeci-lhe e comecei a correr as páginas dos livros do autor que estavam disponíveis e escolhi este “A ilha dos jacintos cortados”.

De início arrebatou-me pela história dentro da história, mas a prosa densa, corrida e sem paragens de diálogos, cansou-me, não se adequava ao pouco tempo de leitura antes de adormecer de que dispunha naqueles dias. Agora, voltei a pegar-lhe e a redescobrir as personagens das duas histórias. O livro desenvolve-se numa carta a Ariadne, uma estudante por quem o narrador está apaixonado e com quem divide a casa na ilha dos jacintos cortados. Mas, Ariadne está apaixonada por Claire, um outro docente, descendente do poeta inglês Sir Ronald Sidney, e cuja tese mais recente é a defesa de que Napoleão nunca existiu, foi uma personagem inventada por um conjunto de mentes iluminadas à época da revolução francesa face à necessidade de atribuir à revolução um rosto, um líder, alguém com quer lutar e a quem derrotar.

Por via da técnica de mergulho no passado através dos espelhos, aprendidas pelo narrador do conde Cagliostro, ele próprio imortal, mergulhamos no passado de uma ilha ao largo de Itália, a ilha da Górgona, onde tem lugar uma intriga deliciosa, que culmina na descoberta da trama em torno de Napoleão. Esta história de amores, traições, luxúria e conspirações políticas decorre em paralelo com os amores por Ariadne, realidade e ficção que se tocam.

Não me apaixonaram estes jacintos, qualquer dia tenho que dar uma chance ao Don Juan, para confirmar a sugestão.

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