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A tragédia da Rua das Flores

Posted in Eça de Queirós, Portuguesa by maitê on December 1, 2008

09.04.2006

A tragédia da Rua das Flores – Eça de Queiroz


Sinopse:

Joaquina da Ega (que mais tarde se virá a saber chamar-se Genoveva), natural da Guarda, casada com Pedro da Ega, vivia em Lisboa. Mas, logo após o nascimento do filho, abandona este e o marido para fugir com um emigrado espanhol. Em Espanha, torna-se cortesã. Entretanto, Pedro da Ega morre em Angola. Joaquina casa-se depois com M. de Molineux, um velho senador, com quem vive em Paris. Mas a queda do bonapartismo, trazem-na de volta a Portugal, agora com Gomes, um brasileiro, já que o senador havia falecido. Faz-se, então, passar por Mme. de Molineux. Em Lisboa, instala-se na Rua das Flores. Logo se envolve com Dâmaso de Mavião, a quem irá explorar sem piedade. No entanto, apaixona-se por Vítor, um jovem de 23 anos, bacharel em Direito. Quando faz 40 anos repele Dâmaso, planeando voltar para Paris com Vítor. O tio de Vítor, Timóteo, o único detentor da trágica verdade, tenta acabar com a relação dos dois. Decide, então, contar toda a verdade a Genoveva.

Ao saber que era amante do seu próprio filho, Genoveva atira-se da varanda de sua casa, na presença de Vítor, que nunca chegaria a perceber tal atitude nem a saber a verdade.


Desde os tempos do liceu que Eça nunca me apaixonou. Li os Maias por obrigação, sem grande paixão e, reconheço, sem lhe prestar a atenção que por certo mereceria. Anos mais tarde falava-se sobre leituras e uns amigos espantaram-se dessa minha “lacuna” queirosiana e ofereceram-me este livro. Uns tantos anos mais tarde finalmente pego nele e me dedico a folhear-lhe as páginas de letra dactilografada e meia borratada tão característica dos livros da editora Livros do Brasil e que já não se vê (felizmente) em livros nenhuns.

Correm-me os olhos pelas descrições de fatos e vestidos, de costumes e da vida em sociedade da época. Seguem-se as intrigas quase palacianas, o mostrar ser, os falatórios, os boatos, o ser e o parecer. É esta a virtude de Eça, dizem-me, a crítica dos costumes e o retrato mordaz da sociedade. Reconhecida e com mérito!

A história em si é pequena, enrolada, esticada e desenrolada numas 2 ou três páginas do final. As aventuras e desventuras de Genoveva, Dâmaso e Victor vão correndo suavemente, sem grandes surpresas, com as artimanhase o calculismo de Genoveva, o despeito e a ingenuidade de Dâmaso e a(s) paixão(ões) de Victor.

Tenho ideia de em tempos ter passado na televisão um filme ou uma peça de teatro adapatada do livro; gostava de a ver, sem dúvida que as personagens e o ambiente descrito darão um belo espectáculo visual.

Reconheço porém que o livro não me apaixonou, o romance histórico, de época não me cativou nem me arrastou para soirées de vestidos de cauda, espartilhos e rendas, com cavalheiros de casaca preta e gravata branca, não me transportou para o teatro nem mesmo para as paisagens de Sintra onde tem lugar uma parte importante da história.

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